
Jogam-se os dados no tabuleiro; eles rolam, giram sobre seus eixos e envolvem-se em um movimento que se espalha e se estende. Desenvolvem-se. Um movimento ímpar e singular que instiga a certeza e a dúvida. A sorte foi lançada, eis a certeza. A possível soma de números que se pode obter, quando os dados decidirem parar de rodopiar, é 12. Cada jogador escolhe o número da sorte e sea lo que sea. Na vida é assim, nos lançamos à sorte e esperamos os acontecimentos dos fatos em nosso destino; futuro que se torna presente, minuto a minuto. Jogar os dados, brincadeira de criança que adulto gosta. A esperança que a sorte bata à porta não tem idade; os desejos vêm à tona, e assim, se brinca, se joga, se quer, se põe à sorte e à vontade dos dados. Eles parecem possuir uma vontade própria; na verdade eles podem escolher o jogador que lhes convêm. A dúvida torna-se inerente ao jogo. Alegrias e tristezas, naturalmente se estampam nos rostos dos participantes. Confia-se o próprio destino no imenso tabuleiro onde os dados estão prestes a parar de rodar. Ao participante, quando chega a sua vez, basta jogar os dados. Desvendar seus segredos é um desafio só para os amantes da brincadeira, perceber seus movimentos, suas curvas, suas impressões de verdades. Descobri-los, em cada partida, é uma arte para poucos; estabelece-se um momento ímpar quando os dados estão próximos do participante, em suas mãos. E nessa trajetória, sistemática ou não, com improvisos ou não. Surgem questões fundamentais: Quem os dados escolherá ? E a mais instigante, que motivou toda a brincadeira, todo o jogo: Quem ficará com os dados?
Luciano Araújo
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